Salta, Ovarense, allez!

saltaComeço assim: arrepiei-me ao ler o texto do nosso treinador. Depois de muito tempo afastado das nossas hostes, com o cordão umbilical dos textos cortado há algum tempo e com a cabeça em corrupio, pelas minhas mil e umas coisas em que tento envolver-me, não esperava arrepiar-me deste modo. Mas estas minúsculas coisas – que, na verdade, são as maiores de todas – são as que nos fazem viver com mais intensidade.

 

Procuramos sempre ser melhores, acreditar que a nossa vida ainda poderá vir a ser mais do que, efectivamente, é, que nós próprios somos muito mais do que imaginamos, mas depois somos sucumbidos à realidade.

E a realidade é tão bela quando a vemos. Raramente a vemos, mas, quando a vemos e sentimos, ficamos boquiabertos, pasmados com tudo o que não reparamos no dia-a-dia. Conheço quase todos os jogadores do nosso plantel, dou-me bem com a maioria deles, mas ver o treinador, alguém com quem não tenho nenhuma afinidade, defini-los da forma que o fez, fez-me tombar para o lado. Eles sempre lá estiveram, sempre foram o que são, mas nem sempre prestamos atenção. O nosso jardim é belo, mas quando passamos nele todos os dias tendemos é a arrostar as ervas daninhas. Mas o senhor Felix Alonso, com todo o seu entusiasmo e humildade, deu-me uma chapada. Uma valente chapada, que me fez levantar a cabeça. Quando só olhamos para o chão, vemos os sapatos; quando levantamos o olhar, vemos o infinito.

 

Estes homens, que todos conhecemos, no primeiro jogo desta meia-final entregue, levantaram a cabeça e viram o infinito. Lutaram pelo infinito. E quando ele parecia desmoronar-se, ao segundo jogo, pensando que já tudo o que podíamos fazer estava feito, eles continuaram a lutar. Eu não sei o que é ser um guerreiro a batalhar contra enormes, mas quando vemos um David, que é do nosso quotidiano, a combater e a vencer um Golias, que também é do nosso quotidiano, mas duma realidade mais avantajada, temos que estar orgulhosos. Não é uma questão de opção, é uma questão de paixão.

 

Sabemos que a eliminatória não acaba no sábado, portanto, tratem de reservar dois dias. Não importa o que vai acontecer – é mesmo o que menos importa -, mas vai valer a pena reviver cada um dos nossos momentos de glória, num pavilhão repleto, quem sabe criando novos momentos. Porque o passado é belo e o futuro pode ser incrível, mas a história faz-se é no presente. E o presente é sábado e domingo.

Apareçam, amigos. Não por mim, não pela Ovarense, não pelo Felix Alonso, ou mesmo pelos jogadores, mas por vocês. Venham por cada um de vocês. E digo venham porque já me imagino lá!

 

E salta, Ovarense, allez; Ovarense, allez; Ovarense, allez!!

 

Ricardo Alves Lopes (Ral)

www.ricardoalopes.com

tempestadideias.wordpress.com

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